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EPIs obrigatórios para auxiliar de limpeza de escola e as consequências do fornecimento irregular

  • Foto do escritor: Paulo Rocha
    Paulo Rocha
  • 23 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A atividade exercida por auxiliares de limpeza em escolas envolve exposição diária a agentes biológicos, químicos e riscos físicos, especialmente em ambientes de grande circulação de pessoas, como banheiros, salas de aula, pátios e refeitórios. Por essa razão, a legislação trabalhista impõe ao empregador o dever de fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, sob pena de severas consequências jurídicas.



1. O que diz a legislação sobre EPIs?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 166, é clara ao estabelecer que:

“A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento.”


Além disso, a Norma Regulamentadora nº 6 (NR-6), do Ministério do Trabalho, detalha as obrigações do empregador, que incluem:

  • Fornecer EPIs adequados ao risco da atividade;

  • Substituí-los imediatamente quando danificados ou extraviados;

  • Orientar e treinar o trabalhador quanto ao uso correto;

  • Exigir e fiscalizar o uso efetivo dos equipamentos.


2. EPIs obrigatórios para auxiliar de limpeza escolar

Considerando as atividades típicas exercidas em escolas, os principais EPIs obrigatórios são:

  • Luvas impermeáveis (borracha ou nitrílica), para proteção contra agentes biológicos e produtos químicos;

  • Botas impermeáveis e antiderrapantes, prevenindo contaminações e quedas;

  • Avental impermeável, especialmente na limpeza de banheiros e áreas molhadas;

  • Máscaras de proteção, conforme o tipo de produto utilizado e o risco biológico;

  • Óculos de proteção, quando houver risco de respingos de produtos químicos;

  • Uniforme adequado, de uso exclusivo no ambiente de trabalho.


A simples entrega do EPI não é suficiente: o empregador deve comprovar que o equipamento é adequado, eficaz e utilizado corretamente.


3. Limpeza de banheiros escolares e insalubridade

A limpeza de banheiros em escolas, sobretudo os de grande circulação, é atividade reconhecida pela jurisprudência como insalubre em grau máximo, conforme o Anexo 14 da NR-15.


O Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui entendimento consolidado no sentido de que:

  • A limpeza de sanitários coletivos e o recolhimento de lixo urbano geram direito ao adicional de insalubridade em grau máximo (40%), salvo se houver EPI eficaz, comprovado por laudo técnico.


Sem a comprovação da eficácia dos EPIs, o adicional é devido integralmente.


4. Consequências do fornecimento irregular de EPIs

O fornecimento inadequado, incompleto ou inexistente de EPIs pode gerar diversas consequências ao empregador, tais como:


✔️ Condenação ao pagamento de adicional de insalubridade

Com reflexos em:

  • Férias + 1/3;

  • 13º salário;

  • FGTS e multa de 40%;

  • Aviso-prévio.


✔️ Reconhecimento de rescisão indireta

A ausência de EPIs configura descumprimento grave das obrigações contratuais, nos termos do art. 483, alínea “d”, da CLT, autorizando o trabalhador a romper o contrato com direito a todas as verbas rescisórias de uma dispensa sem justa causa.


✔️ Indenização por danos morais

Quando comprovado que o trabalhador foi exposto a risco à saúde ou sofreu adoecimento em razão da falta de proteção adequada.


✔️ Autuações administrativas

Fiscalizações do Ministério do Trabalho podem resultar em multas e interdições, especialmente em ambientes escolares.


5. A importância da prova técnica

Em ações trabalhistas, é comum a designação de perícia técnica para avaliar:

  • A real exposição a agentes nocivos;

  • A adequação e eficácia dos EPIs fornecidos;

  • A existência (ou não) de laudos obrigatórios, como LTCAT e PGR.


A ausência desses documentos reforça a responsabilidade do empregador.


6. Conclusão

A atividade de auxiliar de limpeza em escolas exige rigor no cumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho. O fornecimento irregular de EPIs não é uma simples falha administrativa, mas uma violação grave dos direitos do trabalhador, com repercussões trabalhistas, previdenciárias e até civis.


Empregadores devem investir em prevenção. Trabalhadores, por sua vez, precisam conhecer seus direitos e buscar orientação jurídica quando estes são violados.



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O escritório Paulo Henrique Santos Rocha – Sociedade Individual de Advocacia atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, especialmente em casos de insalubridade, falta de EPIs, adoecimento ocupacional e rescisão indireta.


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